Febre do Vale do Rift (Atualziado em 14-03-2019)

 

Alerta 4/2019 - Surto de Febre do Vale do Rift na Ilha de Mayotte ( território francês ultramarino) 

 Entre 22 de Novembro de 2018 a 12 de Março de 2019 foram reportados 93 casos de Febre do Vale do Rift em seres humanos na Ilha de Mayotte, especialmente em áreas rurais no Centro-Oeste e a Norte. Foram também identificados 39 focos epizoóticos nas partes Oeste e Central da ilha.

Foram implementadas medidas, em estreita articulação entre os sectores da saúde humana e animal, incluindo controlo de vectores e proibição do consumo de leite não pasteurizado, entre outras.

A Febre do Vale do Rift é endémica em muitos países africanos e, no passado, ocorreu a importação esporádica de casos na UE.

O ECDC publicou um Rapid Risk Assessment , que junto anexamos, a 08/03/2019, considerando que o risco é muito baixo para viajantes e residentes, desde que sejam adoptadas medidas preventivas adequadas. No entanto, as pessoas que estão em contacto com animais potencialmente infectados (veterinários, trabalhadores da área pecuária)têm risco aumentado de infecção, devendo adoptar práticas seguras nas actividades de criação e abate de animais. Para além destas medidas, deve ser evitado o consumo de leite não pasteurizado e implementadas medidas de protecção individual contra a picada de mosquitos.

Para o ECDC, a importação de casos humanos para a EU/EEA não pode ser excluída, mas a probabilidade de transmissão sustentada é muito baixa, uma vez que a transmissão pessoa-a-pessoa não está descrita para este vírus, o risco de introdução do vírus através do comércio de animais é considerado muito baixo, dada a distância a Mayotte, e mesmo caso ocorresse a importação de animais infectados, a probabilidade de transmissão vectorial entre animais é também considerada muito baixa, durante o Inverno, devido à baixa abundância e actividade vectorial nos países continentais da EU/EEA.

No que se refere à transmissão através de Substâncias de Origem Humana, de acordo com o Rapid Risk Assessment do ECDC anexo, a transmissão da Febre do Vale do Rift através da transfusão de sangue  e componentes sanguíneos e / ou transplante não foi relatada. No entanto, a transmissão da Febre do Vale do Rift através de substâncias de origem humana (SoHO) doadas por um dador virêmico assintomático não pode ser excluída.

 

De acordo com os dos critérios de elegibilidade de dadores de sangue total e componentes sanguíneos constantes do  Manual de Triagem de Dadores de Sangue, IPST 2015, CAPÍTULO 15. Infecciologia, no que se refere a FEBRES HEMORRÁGICAS VIRAIS, nas quais   a Febre do Vale do Rift se inclui, é preconizada a suspensão temporária pelo período de 2 meses de todos os candidatos à dádiva  que tenham sido expostos  ao risco de infecção (viagens a zonas de ocorrência, endémicas e afectadas, contacto com indivíduo infectado ou outra forma de exposição) bem como a suspensão temporária dos candidatos à dádiva a quem tenha sido diagnosticada a infecção pelo período de  12 meses após resolução da mesma.

No caso da ilha de Mayotte  como esta ilha é endémica para a malária  o período de suspensão para dadores que regressam de áreas afectadas pela malária é superior ao período de suspensão para febres hemorrágicas nas quais a Febre do Vale do Rift se inclui, devendo ser aplicados os períodos de suspensão para a Malária constantes do Manual de Triagem De Dadores de Sangue IPST 2015, acima citado.

 

Solicitamos a vossa maior atenção a esta situação e solicitamos a divulgação da presente informação a todos os profissionais com responsabilidades na selecção e avaliação de dadores de sangue.