Febre da Crimeia - Congo (atualizado em 14-12-2016-2016)

Suspendem-se os Alertas 27 e 29 na ausência de notificação  de casos de infecção autóctone  nos últimos três meses na região previamente afectada , Espanha

Alerta 29/2016 - Medidas para a prevenção da transmissão da Febre da Crimeia - Congo através da transfusão

Como é do vosso conhecimento (Alerta 27/2016) as autoridades de saúde espanholas notificaram à Comissão Europeia, a 31 de Agosto, dois casos confirmados de Febre Hemorrágica da Crimeia-Congo. Na sequência desta informação, anexo para vosso conhecimento o Rapid Risk Assessment do ECDC, Febre Hemorrágica da Crimeia Congo em Espanha, datado de 8 de Setembro, para o qual peço a vossa maior atenção.

Neste documento  é referido que a transmissão autóctone, por carraças, do vírus  da Febre Hemorrágica da Crimeia Congo (FHCC)  em Espanha é plausível e esperada porque:

  1. O vírus FHCC foi detectado anteriormente em carraças Hyalomma lusitanicum  na província de Cáceres, na parte norte da comunidade autónoma da Extremadura, que faz fronteira com Portugal;
  2. o principal vetor do vírus FHCC, Hyalomma marginatum, está presente no país bem como na parte sudeste da península Ibérica ( Espanha e Portugal);
  3. As condições climáticas são adequados para a manutenção do ciclo epidemiológico.

Embora a probabilidade de infecção em Espanha continue a ser baixa, casos esporádicos adicionais podem ocorrer no futuro.

A transmissão do vírus FHCC através de picadas de carraça ou contato direto com sangue e fluidos corporais de pacientes infectados sugere que a transmissão do vírus é possível através de transfusão de sangue ou transplante. Não há evidência de viremia durante o período de incubação, antes do aparecimento dos primeiros sintomas. A incidência de infecção entre os dadores de sangue não está documentada, e nenhum caso de FHCC   associada a transfusão de sangue foi relatado.  A inactivação patogénica de plasma e plaquetas e os múltiplos passos de redução patogénica utilizados no processo de fraccionamento têm mostrado ser eficazes na remoção de vírus com envelope, tais como vírus FHCC.

Embora o risco de transmissão de FHCC através de substâncias de origem humana permaneça incerto  considera-se adequado aplicar o princípio da precaução   nesta situação, considerando:

  1. As características das Febres Hemorrágicas Virais
  2. A potencial transmissibilidade por sangue, células, tecidos e órgãos
  3. A proximidade dos casos identificados com a fronteira de Portugal

Assim pensamos adequado para a prevenção do risco de transmissão de  da Febre Hemorrágica da Crimeia Congo através da transfusão, de acordo com o Manual de Triagem de Dadores de Sangue , IPST 2015 capítulo 15.  a suspensão temporária dos potenciais dadores de sangue com o diagnóstico de infecção por um período de 12 meses após resolução da infecção;   a suspensão temporária pelo período  de 2 meses de potenciais dadores de sangue que tenham estado em contacto com indivíduo infectado; a suspensão  temporária  pelo período de 2 meses dos candidatos à dádiva que tenham permanecido pelo menos uma noite nas regiões afectadas  - Região Autónoma da Comunidade de Castela e Leão, Região Autónoma da Comunidade de Madrid e Região Autónoma da Comunidade da Estremadura.

Alerta 27/2016 - Dois casos de Febre hemorrágica Crimeia-Congo em Espanha

No seguimento da confirmação dos dois casos de febre hemorrágica Crimeia-Congo em Espanha, 200 pessoas estão sob observação.

http://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/communicable-disease-threats-report-3-sep-2016.pdf

As autoridades de saúde espanholas estão a tomar as seguintes medidas:

  • Vigilância animal e entomológica nas áreas em que o vírus circula;
  • Comunicação aos profissionais de saúde e público sobre medidas preventivas;
  • Coordenação de atividades nos setores ambiental, humano, animal a nível local, regional e nacional.

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs208/en/

A Febre Hemorrágica Crimeia-Congo é endémica na região dos Balcãs. As autoridades de saúde da Bulgária reportam regularmente um pequeno número de casos (seis casos em 2010, quatro em 2011, cinco em 2012 e oito em 2013). Foi também relatado um caso na Grécia em 2008. As autoridades de saúde da Turquia reportaram à OMS mais de 9 000 casos entre 2002 e 2014.

Dados anteriores

As autoridades de saúde espanholas notificaram à Comissão Europeia, a 1 de setembro, dois casos confirmados de Febre Hemorrágica Crimeia-Congo.

O caso índice é um homem de 62 anos que relatou picada de carraça durante um passeio a uma cidade da província de Ávila.

A carraça foi encontrada com sinais de aderência à pele do paciente. Este doente foi admitido a 19 de agosto numa Unidade de Cuidados Intensivos e faleceu a 25 de agosto. O caso secundário é um profissional de saúde de 50 anos de idade que teve contacto com o primeiro caso na UCI. Atualmente, encontra-se internado numa unidade, em isolamento, em estado grave mas a evoluir favoravelmente. Ambos os casos foram confirmados por PCR no Centro Nacional de Microbiologia.

É a primeira vez que se diagnostica Febre Hemorrágica Crimeia-Congo em seres humanos em Espanha. O vírus tinha sido previamente detetado em carraças na província de Cáceres no âmbito de um estudo de investigação em 2011.

Mais informações, consulte: http://ecdc.europa.eu/en/healthtopics/emerging_and_vector-borne_diseases/tick_borne_diseases/crimean_congo/factsheethealth-professionals/pages/factsheet.aspx

Solicitamos a vossa maior atenção ao evoluir desta situação e solicitamos a divulgação da presente informação a todos os profissionais com responsabilidades na selecção e avaliação de dadores de sangue

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